Friday, March 9, 2007
MEDICINA ALTERNATIVA
Tive sintoma estranho, sugerem-me médico particular. Concordo. A pretensa doença carece ser analisada e debelada por um especialista. No seu acolhedor consultório, sou tratado como uma boneca de porcelana rara e toda a atenção me é dispensada. É-me indicado uma série de exames a fazer, todos no Porto. Lista de espera? Nada que um telefonema não resolva. No Porto, passei à frente de uma data de gente visivelmente doente que me olhou com um olhar de inveja intimidante...não julgo que tenha sido por ser atendido mal cheguei, o que me era invejado era o aspecto saudável que, apesar de tudo, mantinha. Regresso ao consultório médico. Falso alarme. Nada de grave, sugere apenas os cuidados do costume. “Não é nada.”- Responde a menina do balcão. Pudera! Se por dois minutos me tornasse a cobrar os 50€ da primeira consulta, o médico era capaz de ver o seu rendimento/minuto equiparado ao de um bom jogador de futebol obscenamente bem pago!Volto à minha realidade – e de todos que não pertencem pelo menos à classe média. Centro de saúde. Uma qualquer manhã. Depois de resistir a uma fila enorme, finalmente encosto a barriga ao balcão. Consulta só daí a vários dias, semanas. Nego. Insisto. De novo. Afinal pode ser dentro de 3 dias (?!), a tarde. Pasmo, verifico que sou nr. 2 do rol de infortunados que sazonalmente recorrem aos serviços de saúde públicos. Não faço a menor ideia - nem com muita maldade à mistura - porque não me queriam marcar a consulta com a brevidade que acabou por se verificar, nem a tarde, mas se há uma explicação lógica e racional devia ser pública, para a credibilização da instituição e do próprio médico. Sobre o meu (des)agrado pelo serviço depois prestado, não me vou estender porque sei que há bons profissionais na mesma instituição que poderão sentir-se atingidos, mas propunha a criação de uma redoma de observação para os médicos fazerem diagnósticos. É incrível, mas não sei como se faz um diagnóstico sem olhar para o diagnosticado. (sem querer comparar a minha importância à do papel que lhe desviava a atenção)
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